Flamengo vence o Bahia por 3 a 0 e retoma a liderança do Brasileirão

Com a vitória na Fonte Nova, o Flamengo chega a 67 pontos, passa o Palmeiras e entra na reta final do Brasileirão 2026 com o melhor ataque e a melhor campanha.

19 DE OUTUBRO · 6 MIN DE LEITURA+5pontos pela leitura

O Flamengo voltou ao topo do Campeonato Brasileiro no domingo, 18 de outubro, com uma vitória por 3 a 0 sobre o Bahia na Arena Fonte Nova, em Salvador. O resultado, construído fora de casa e diante de um adversário que costuma complicar a vida dos grandes no Nordeste, fez o time de Leonardo Jardim chegar a 67 pontos em 31 jogos e abrir um ponto de vantagem sobre o Palmeiras, que tem 66. A diferença é mínima, mas o recado é grande: a três dias de uma semifinal de Libertadores, o elenco mostrou que consegue dividir a atenção entre as duas frentes sem perder o rumo no campeonato de pontos corridos.

A vitória teve um peso que vai além dos três pontos. Jogar em Salvador nunca é simples. A Fonte Nova cheia empurra o Bahia desde o primeiro minuto, e o calendário rubro-negro vinha apertado, com viagem à Argentina no meio da semana e uma partida de altíssima tensão contra o Estudiantes. Mesmo assim, o Flamengo entrou concentrado, controlou o jogo nos momentos em que precisava e transformou a superioridade técnica em gols. Para um time que briga ponto a ponto com o Palmeiras, vencer fora de casa com folga é exatamente o tipo de resultado que separa campeões de vices.

Os números da campanha ajudam a entender por que o Flamengo é hoje o favorito ao título. São 20 vitórias, 7 empates e apenas 4 derrotas em 31 rodadas. O ataque marcou 61 gols, o melhor do campeonato, e a defesa sofreu só 25, um saldo de 36 gols positivos. Em média, o time balança as redes quase duas vezes por partida e sofre menos de um gol por jogo. É uma combinação rara no futebol brasileiro, onde a maratona de jogos costuma cobrar caro de quem disputa várias competições ao mesmo tempo.

Outro dado chama a atenção da torcida: após 31 jogos, o Flamengo já supera a pontuação que tinha no mesmo ponto do Brasileirão de 2025. Ou seja, mesmo com a troca de comando técnico no início da temporada e com as derrotas em finais logo nos primeiros meses do ano, a equipe conseguiu se reorganizar e hoje entrega um desempenho mais consistente do que no ano passado. Isso diz muito sobre a capacidade do elenco de absorver mudanças e sobre o trabalho feito no dia a dia do Ninho do Urubu.

Para a partida em Salvador, Leonardo Jardim teve de lidar com cinco desfalques. A boa notícia foi a volta de Jorginho à lista de relacionados, depois de um período fora. Em compensação, Saúl foi cortado por causa de dores na coxa, um problema que exige cuidado com a sequência de jogos que vem pela frente. A gestão do elenco, aliás, deve ser uma das chaves da reta final: com Libertadores e Brasileirão disputados em paralelo, cada minuto em campo precisa ser bem calculado.

A briga com o Palmeiras promete ir até as últimas rodadas. Um ponto de diferença é praticamente nada quando ainda restam sete jogos para cada lado. O rival paulista vem de uma campanha igualmente sólida e não costuma desperdiçar oportunidades. Por isso, qualquer tropeço pode inverter a liderança de uma semana para a outra. O torcedor rubro-negro sabe bem que o Brasileirão não perdoa distrações, e a lembrança de campeonatos decididos nos detalhes ainda é recente.

Um modelo estatístico de probabilidades elaborado por pesquisadores da UFMG, muito usado pela imprensa esportiva, aponta o Flamengo com cerca de 69,8% de chance de título, contra 30,1% do Palmeiras. Os números refletem a vantagem na tabela, o saldo de gols e a tabela de jogos restantes de cada um. Mas probabilidade não é garantia: ela apenas mostra quem está em melhor posição hoje. Na prática, tudo pode mudar com uma lesão, um cartão ou um resultado inesperado contra um time que luta para escapar do rebaixamento.

E o calendário reserva um capítulo especial: o confronto direto entre Palmeiras e Flamengo está marcado para a 36ª rodada. Se a diferença continuar pequena até lá, esse jogo pode funcionar como uma verdadeira final antecipada. Uma vitória rubro-negra praticamente encaminharia o título; uma derrota devolveria ao Palmeiras a chance de decidir em casa. É o tipo de partida que costuma ficar marcada na memória do torcedor, para o bem ou para o mal.

Na parte de baixo da tabela, a disputa também está quente, e isso interessa ao Flamengo. Internacional, Grêmio, Remo e Chapecoense ocupam a zona de rebaixamento, enquanto o Corinthians aparece em 16º lugar, com 32 pontos. Times que lutam para não cair costumam jogar com o coração na ponta da chuteira, especialmente em casa. Cruzar com eles na reta final exige seriedade redobrada, porque um empate arrancado por um adversário desesperado pode custar caro na conta final.

Taticamente, o Flamengo de Leonardo Jardim encontrou um equilíbrio interessante. A equipe pressiona alto quando tem espaço, mas também sabe baixar as linhas e esperar o momento certo de acelerar. Jogadores de velocidade pelos lados, como Samuel Lino e Bruno Henrique, ajudam a esticar o campo, enquanto o meio-campo com Pulgar, Lucas Paquetá e Carrascal dá circulação e criatividade. Na frente, Pedro segue como a principal referência de área, e a chegada de nomes como Gonzalo Plata e Joaquín Freitas amplia as opções do treinador para mudar o jogo a partir do banco.

A defesa também merece destaque. Com Rossi no gol e uma dupla de zaga experiente, formada por Léo Ortiz e Léo Pereira, o Flamengo sofre poucos gols e raramente se desorganiza. Os laterais Emerson Royal e Alex Sandro trazem rodagem internacional e ajudam tanto na proteção quanto na saída de bola. Os 25 gols sofridos em 31 jogos mostram que o time não depende apenas do ataque para vencer: quando o jogo fica truncado, a solidez defensiva segura o resultado.

Para o torcedor, a semana é de emoção dobrada. Logo depois da vitória em Salvador, o foco se volta para a quinta-feira, quando o Flamengo recebe o Estudiantes no Maracanã pela volta da semifinal da Libertadores, depois do empate sem gols em La Plata. Conciliar a cabeça dos jogadores entre a festa da liderança e a decisão continental é o desafio imediato da comissão técnica. Em seguida, a briga pelo Brasileirão volta a ocupar o centro das atenções, sem margem para erro.

O que fica da 31ª rodada é a sensação de que o Flamengo chega forte à reta final. O time tem o melhor ataque, uma das melhores defesas, a maior pontuação e um elenco capaz de suportar a maratona de jogos. Ainda assim, nada está ganho. Restam sete rodadas, um confronto direto com o principal rival e uma semifinal de Libertadores no meio do caminho. Cada jogo, a partir de agora, vale como uma pequena final, e o torcedor rubro-negro sabe que é justamente nesse tipo de cenário que a camisa costuma pesar.

Vale lembrar ainda que a tabela não mostra tudo. O desgaste físico acumulado ao longo do ano, as convocações e as pequenas lesões musculares típicas de fim de temporada costumam aparecer justamente quando a decisão se aproxima. Por isso, a comissão técnica monitora de perto a carga de cada atleta e tende a fazer rodízio em partidas consideradas mais controláveis. Quem entrar precisa manter o nível, e é aí que a profundidade do elenco faz diferença. Se o Flamengo conseguir administrar esse equilíbrio entre poupar e competir, terá dado um passo enorme rumo a mais um título brasileiro.

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