Flamengo segura 0 a 0 com o Estudiantes e decide vaga na final no Maracanã

Em La Plata, o Flamengo resistiu à pressão argentina, contou com Rossi e defesa firmes e leva a semifinal da Libertadores 2026 aberta para o jogo de volta no Rio.

19 DE OUTUBRO · 6 MIN DE LEITURA+5pontos pela leitura

O Flamengo deu o primeiro passo na semifinal da Copa Libertadores de 2026 com um empate sem gols contra o Estudiantes, no estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, na quinta-feira, 15 de outubro. Foi uma noite de sofrimento para o torcedor rubro-negro: o time argentino teve mais a bola, empurrou o Flamengo para trás em boa parte do jogo e criou as melhores oportunidades. Mesmo assim, a defesa resistiu, Rossi apareceu quando foi preciso e a decisão ficou totalmente aberta para o jogo de volta, no Maracanã.

Não houve vantagem para ninguém. Como o placar de ida terminou empatado e sem gols, quem vencer no Rio garante a vaga na grande final. Um novo empate no tempo normal leva a decisão para os pênaltis. Na prática, o confronto virou um jogo único, com a diferença de que o Flamengo terá a seu favor o Maracanã lotado, o fator que costuma fazer a balança pender em noites de Libertadores.

Leonardo Jardim escalou o time com Rossi no gol; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro na defesa; Pulgar, Saúl e Lucas Paquetá no meio-campo; e Carrascal, Bruno Henrique e Samuel Lino no ataque. A ideia era ter um meio-campo combativo para suportar a pressão do Estudiantes e, ao mesmo tempo, usar a velocidade pelos lados para encontrar espaços nos contra-ataques. Na prática, a primeira parte do plano funcionou bem melhor do que a segunda.

O Estudiantes começou em ritmo forte, como era de se esperar diante da sua torcida. Logo aos dois minutos, Baltasar Rodríguez arriscou de fora da área e obrigou Rossi a fazer a defesa em dois tempos, um aviso de que a noite seria longa. Ao longo do primeiro tempo, os argentinos rondaram a área rubro-negra com frequência. Aos 32 minutos, Tiago Palacios encontrou espaço para finalizar, e Léo Pereira apareceu no momento exato para evitar o gol, num dos lances mais importantes da partida.

No segundo tempo, a dinâmica pouco mudou. O Estudiantes seguiu propondo o jogo, e o Flamengo teve dificuldade para ficar com a bola no campo de ataque. Aos 17 minutos, Lucas Paquetá atingiu o rosto de Piovi numa disputa e recebeu cartão amarelo. Os jogadores do Estudiantes cercaram a arbitragem pedindo a expulsão, mas o árbitro manteve a decisão. O lance esquentou o clima em campo e exigiu cabeça fria do time brasileiro para não perder o controle emocional numa partida já tensa.

Aos 34 minutos da etapa final veio outro susto. Depois de um escanteio, Núñez finalizou em boa posição, e Alex Sandro se jogou na frente da bola para bloquear o chute. Foi mais uma intervenção decisiva de um setor defensivo que, no conjunto, saiu de La Plata como o grande destaque da noite. Rossi, a zaga e os laterais mostraram concentração do primeiro ao último minuto, algo indispensável em confrontos eliminatórios fora de casa.

Do lado ofensivo, o retrato não foi animador: o Flamengo terminou o jogo sem acertar nenhuma finalização no gol do Estudiantes. A equipe de Jardim até tentou sair em velocidade, mas faltou capricho no último passe e presença na área. É um ponto que a comissão técnica certamente vai trabalhar para a volta. Contra um adversário que se defende bem e gosta de jogar no erro do oponente, criar chances claras será fundamental no Maracanã.

As substituições mostraram a intenção de mudar esse cenário. Joaquín Freitas entrou no lugar de Paquetá, Pedro substituiu Bruno Henrique e Gonzalo Plata entrou na vaga de Samuel Lino. A entrada de Pedro, principal referência de área do elenco e artilheiro rubro-negro na temporada, indicou a busca por mais presença ofensiva, enquanto Plata trouxe drible e profundidade pelo lado. O jogo também marcou a estreia de Joaquín Freitas na Libertadores com a camisa do Flamengo, um momento especial para o jogador.

O empate tem um sabor positivo pelo contexto. Sair da Argentina sem levar gols numa semifinal é um resultado que muitos treinadores assinariam antes da bola rolar. O Flamengo manteve a invencibilidade na competição e preservou a possibilidade de decidir em casa. Ao mesmo tempo, a atuação deixou claro que o time precisará de uma versão bem mais agressiva e criativa para superar um Estudiantes organizado, experiente e acostumado a noites de Libertadores.

A campanha até aqui ajuda a explicar a confiança da torcida. Na fase de grupos, o Flamengo terminou em primeiro lugar com 16 dos 18 pontos possíveis. Nas oitavas de final, eliminou o Cruzeiro num duelo brasileiro de alto nível. Nas quartas, passou pelo Independiente del Valle, adversário que sempre exige atenção pela intensidade e pela qualidade técnica. Em toda a edição, o time ainda não conheceu derrota, uma marca que reforça a solidez do trabalho de Leonardo Jardim.

Há também um peso histórico em jogo. O Flamengo é o atual campeão da Libertadores, título conquistado em 2025, e agora persegue a quinta taça continental da sua história. Defender o título é sempre mais difícil, porque todos os adversários entram com motivação extra contra o campeão. Chegar à semifinal mantendo a invencibilidade já mostra que o elenco soube lidar com essa pressão, mas o passo que falta é justamente o mais pesado.

O jogo de volta está marcado para a quinta-feira, às 21h30, no horário de Brasília, no Maracanã. A expectativa é de casa cheia e de um clima de decisão desde o aquecimento. Para o Flamengo, a missão é clara: vencer no tempo normal para evitar a loteria dos pênaltis. Para isso, será preciso combinar a solidez defensiva mostrada em La Plata com uma atuação ofensiva muito mais efetiva, aproveitando o apoio da arquibancada para impor o ritmo desde o início.

A preparação para essa decisão acontece em meio à disputa do Brasileirão, que o Flamengo lidera. A vitória por 3 a 0 sobre o Bahia, no fim de semana, ajudou a manter o ambiente positivo e a confiança em alta. Agora, a comissão técnica precisa equilibrar a carga física do elenco, avaliar quem chega em melhores condições e montar a estratégia ideal para um jogo que pode colocar o clube em mais uma final continental. O torcedor já faz as contas e sonha com a decisão.

Seja qual for o resultado, a semifinal contra o Estudiantes já entrou para a lista de grandes confrontos da temporada. O 0 a 0 de La Plata mostrou um Flamengo capaz de sofrer junto, de se defender com disciplina e de suportar a pressão de um estádio hostil. No Maracanã, o desafio será outro: assumir o protagonismo, criar chances e transformar o apoio da torcida em gols. Se conseguir, o rubro-negro estará a apenas um jogo de mais uma taça da Libertadores.

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